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Falso PJ: Como identificar a fraude na contratação e recuperar seus direitos na Justiça

8 de set.
4 min de leitura


Ser contratado como pessoa jurídica pode parecer uma oportunidade profissional, mas nem sempre essa relação representa uma verdadeira prestação de serviço independente.


Em muitos casos, trabalhadores abrem um CNPJ e passam a atuar como se fossem funcionários da empresa: cumprem horários, recebem ordens, possuem metas e seguem uma rotina fixa. Essa situação pode caracterizar o chamado falso PJ, uma forma de contratação irregular que pode retirar direitos garantidos pela legislação trabalhista.


Quando a contratação como PJ é utilizada para esconder uma relação de emprego, o trabalhador pode buscar na Justiça do Trabalho o reconhecimento do vínculo empregatício e a recuperação de direitos trabalhistas não pagos, como férias, FGTS, 13º salário e verbas rescisórias.


O que é falso PJ e por que essa contratação pode ser considerada uma fraude? Tire suas dúvidas. 


O que significa ser um falso PJ?


Falso PJ é quando uma pessoa é contratada como empresa, mas trabalha na prática como um empregado comum, cumprindo regras e condições típicas de uma relação de emprego.


A contratação por meio de pessoa jurídica não é proibida. O problema acontece quando o CNPJ é utilizado apenas como uma forma de evitar obrigações trabalhistas previstas na CLT.


Nessas situações, a realidade do trabalho pode demonstrar a existência de vínculo empregatício, mesmo que o contrato assinado indique uma prestação de serviços.


Como identificar se fui contratado como PJ, mas trabalho como funcionário?


Um dos principais sinais de falso PJ é quando o trabalhador possui CNPJ, mas mantém uma rotina igual à de um empregado contratado pela CLT.


Alguns indícios de contratação irregular são:


  • Cumprir horário determinado pela empresa;

  • Receber ordens e supervisão direta;

  • Ter metas definidas por gestores;

  • Trabalhar exclusivamente para uma empresa;

  • Participar da rotina interna como outros funcionários;

  • Não possuir autonomia para organizar a própria atividade.


A análise não depende apenas do contrato ou da existência de um CNPJ. Na Justiça do Trabalho, a forma como o serviço é realizado tem grande importância.


Sou PJ, mas tenho horário fixo e recebo ordens. Tenho vínculo empregatício?


Sim, pode existir vínculo empregatício quando o trabalhador PJ possui características típicas de empregado, como subordinação, pessoalidade, habitualidade e pagamento pelo serviço.


Ter um CNPJ não impede automaticamente o reconhecimento de uma relação de emprego.


Se a empresa controla a rotina profissional, determina como o trabalho deve ser realizado e mantém uma relação semelhante à de um funcionário contratado, pode haver uma discussão sobre fraude na contratação PJ.


Como provar vínculo empregatício sendo PJ?


Para comprovar vínculo empregatício sendo PJ, é necessário demonstrar que a relação possuía características de emprego, utilizando documentos, mensagens, testemunhas e outros elementos de prova.


Os principais pontos analisados são:


  • Pessoalidade: o serviço dependia exclusivamente daquele trabalhador.

  • Subordinação: havia ordens, controle e supervisão da empresa.

  • Habitualidade: o trabalho era realizado de forma contínua.

  • Onerosidade: existia pagamento pelo serviço prestado.


Quanto mais presentes esses elementos, maior pode ser a possibilidade de reconhecimento do vínculo trabalhista.


Falso PJ tem direito a FGTS e férias?


Se a Justiça reconhecer que existia uma relação de emprego, o trabalhador pode ter direito a FGTS, férias, 13º salário e outras verbas trabalhistas previstas na CLT.


A contratação irregular pode gerar o pagamento de valores que não foram recebidos durante o período trabalhado.


Entre os direitos que podem ser analisados estão:



Possível direito trabalhista

Quando pode ser solicitado

Reconhecimento do vínculo empregatício

Quando a relação PJ apresenta características de emprego

FGTS

Quando não houve depósitos durante o período trabalhado

Férias + 1/3

Quando o trabalhador não recebeu o direito correspondente

13º salário

Quando a contratação ocultou uma relação empregatícia

Aviso-prévio e verbas rescisórias

Em caso de encerramento da relação de trabalho


Cada situação precisa ser avaliada considerando documentos e provas disponíveis.


A empresa pode obrigar o trabalhador a abrir um CNPJ?


A empresa não pode utilizar a exigência de abertura de CNPJ como uma forma de retirar direitos trabalhistas de um profissional que atua como empregado.


A contratação como pessoa jurídica pode ser válida quando existe autonomia entre as partes. Porém, quando o trabalhador é obrigado a abrir uma empresa apenas para continuar exercendo uma função comum dentro da organização, pode existir uma possível fraude trabalhista.


Como funciona uma ação trabalhista contra uma contratação PJ irregular


Posso entrar com ação trabalhista sendo contratado como PJ?


Sim. Um trabalhador contratado como PJ pode buscar a Justiça do Trabalho para solicitar o reconhecimento de vínculo empregatício quando houver indícios de fraude na contratação.


Durante o processo, podem ser analisados:


  • Contratos assinados;

  • Conversas com gestores;

  • Comprovantes de pagamento;

  • Controle de horários;

  • E-mails;

  • Testemunhas;

  • Outros documentos que demonstrem a rotina profissional.


Caso o vínculo seja reconhecido, a empresa pode ser condenada ao pagamento dos direitos trabalhistas correspondentes.


Pejotização: quando a contratação como empresa ultrapassa os limites legais


O que é pejotização ilegal?


Pejotização ilegal acontece quando uma empresa contrata um trabalhador como pessoa jurídica apenas para evitar obrigações trabalhistas, mesmo mantendo uma relação típica de emprego.


A contratação PJ pode ser legítima quando existe independência profissional. Um prestador de serviço autônomo possui liberdade para organizar sua atividade e assumir os riscos da prestação.


O problema surge quando o trabalhador possui CNPJ, mas está inserido na estrutura da empresa como um funcionário comum.


Falso PJ: o primeiro passo é entender seus direitos


O trabalhador que suspeita de uma contratação irregular deve reunir provas da sua rotina profissional e buscar orientação de um advogado trabalhista para avaliar a situação.


Cada caso possui características próprias e deve ser analisado com cuidado, considerando a função exercida, documentos disponíveis e a forma como a relação de trabalho acontecia.


No Sanches e Sanches Guilherme Advogados, atuamos na defesa dos direitos dos trabalhadores, oferecendo uma análise jurídica responsável para situações envolvendo falso PJ, fraude trabalhista e reconhecimento de vínculo empregatício. Acesse nosso site e entre em contato, ficaremos felizes em ajudar.

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